A Santa Cerâmica nasceu de um encontro que eu não planejei.
Sou jurista e, durante muitos anos, minha vida profissional esteve ligada ao Direito — às palavras, aos prazos, às decisões e a um ritmo muito diferente daquele que encontrei depois na cerâmica.
Em determinado momento da minha vida, percebi que precisava encontrar algo que me permitisse desacelerar. Algo que me afastasse, ainda que por algumas horas, das exigências do cotidiano e me trouxesse mais silêncio, tranquilidade e presença.
Foi assim que cheguei à cerâmica.
No início, era apenas uma atividade diferente. Mas, aos poucos, entre o barro, as mãos e o silêncio, percebi que havia encontrado muito mais.
Encontrei um lugar onde consigo parar.
Enquanto trabalho com o barro, reflito. Observo. Respiro. E aprendo, repetidas vezes, que nem tudo acontece no momento em que queremos.
A cerâmica tem seu próprio tempo.
O barro precisa de tempo. A secagem precisa de tempo. O esmalte, o fogo e cada etapa do processo também. Há coisas que simplesmente não podem ser apressadas.
E foi justamente nesse processo que eu me encontrei.
Com o tempo, aquilo que começou como uma experiência pessoal ganhou forma, propósito e nome.
Assim nasceu a Santa Cerâmica.
Hoje sou eu quem pensa, cria e produz cada peça, acompanha todo o processo e cuida de tudo o que existe ao redor dele.
A Santa Cerâmica ainda é uma história pequena, construída aos poucos e de maneira muito pessoal. Existem pessoas e parceiros que fazem parte desse caminho, mas a essência da marca nasce do meu trabalho com a cerâmica e daquilo que encontro quando estou diante do barro.
Cada peça é feita artesanalmente.
Por isso, pequenas diferenças de forma, textura, tonalidade e acabamento fazem parte do processo. Não busco reproduzir a exatidão de uma peça industrial. Gosto justamente daquilo que revela que houve mãos, matéria, fogo e tempo envolvidos em sua criação.
Cada peça passa por um processo que não se repete exatamente da mesma maneira.
E acredito que é isso que faz com que cada uma tenha sua própria identidade.
A Santa Cerâmica acabou se tornando também um reflexo daquilo que a cerâmica trouxe para a minha própria vida.
Um convite para diminuir o ritmo.
Para estar presente no que fazemos.
Para encontrar beleza nas coisas simples e dar espaço ao silêncio, à contemplação e ao descanso.
Talvez por isso eu queira que as peças que faço sejam mais do que objetos.
Quero que elas façam parte de momentos reais: do café preparado pela manhã, de uma mesa compartilhada, das flores colocadas em um vaso, de um canto da casa que traz aconchego ou simplesmente de um instante em que alguém decidiu parar um pouco.
Foi no barro que encontrei esse lugar.
E é um pouco dele que procuro colocar em cada peça da Santa Cerâmica.